PAI

Reflita.
Fico acordado todas as noites pensando em você e refletindo sobre como você me ajuda como um pai.  Salmos 63:6
Quando a noite cai, deito-me na cama e reflito sobre a sua ajuda incessante.  Seu terno cuidado é visto em todos os seres vivos.  Sinto sua proximidade enquanto contemplo as estrelas que você colocou no lugar.  Vejo sua arte em cada arco-íris e sinto sua glória em cada céu ensolarado.  A terra ostenta sua criatividade.  Até os pássaros cantam sua canção.  Eu olho com a admiração de uma criança para Este que chamo de Pai.  Meu coração se enche de admiração – você é meu herói.  Sob sua sombra esplendorosa canto canções de amor durante toda a noite.  Enquanto minha cabeça repousa no travesseiro, imagino-me deitado em segurança em seu peito, aconchegado nos braços de meu Deus Pai.  Suas mãos fortes me firmam dia após dia.  Você me aproxima e, com uma busca apaixonada, correrei atrás de você e nunca mais o deixarei ir.
(Prayers on Fire: 365 Days Praying the Psalms - Brian Simmons and Gretchen Rodriguez)

Salmos‬ ‭63:1‭-‬8‬ ‭NVT‬
Ó Deus, tu és meu Deus; eu te busco de todo o coração. Minha alma tem sede de ti; todo o meu corpo anseia por ti nesta terra seca, exausta e sem água. Eu te vi em teu santuário e contemplei teu poder e tua glória. Teu amor é melhor que a própria vida; com meus lábios te louvarei. Sim, te louvarei enquanto viver; a ti em oração levantarei as mãos. Tu me satisfazes mais que um rico banquete; com cânticos de alegria te louvarei. Quando me deito, fico acordado pensando em ti, meditando a teu respeito a noite toda. Pois tu és meu auxílio; à sombra de tuas asas canto de alegria. Minha alma se apega a ti; tua forte mão direita me sustenta.

O texto no início deste capítulo retrata bem o que sinto em relação ao Deus que tudo criou, por esta razão decidi iniciar com ele. Toda a beleza da criação deveria nos causar admiração e adoração. Mas quão ingratos nos tornamos e deixamos de perceber a beleza que nos cerca. Costumamos nos voltar para nós mesmos e nos queixar por aquilo que achamos estar faltando.

Adão e Eva tinha tudo diante de si, um mundo de beleza sem igual. Tinham um ao outro para se relacionarem, cuidarem e amarem. Mas eles resolveram olhar para o único lugar que foram instruídos para evitarem.

Muitos perguntam, se não era para comer daquela árvore, por que Deus a colocou lá? Se Deus sabia que o homem a comeria por que a colocou lá? Pra início de conversa, por que Deus criou aquela árvore?

São tantas perguntas... todas elas colocam nas entrelinhas uma acusação contra Deus. Todas elas colocam Deus na cadeira dos réus e decretam a sentença de culpado. O homem tenta entender e por isso formulam essas questões. Contudo são questões tolas de crianças que se acham crescidas e experientes. E que não querem ouvir a verdadeira resposta, querem de alguma forma justificarem seu modo de agir e pensar.

Mas tentarei colocar algumas palavras sobre o assunto, reconhecendo que sei bem pouco. Dependo totalmente do conhecimento do Pai e da sua misericórdia para formular algumas sentenças. Sou totalmente dependente Dele.

Quero apresentar duas palavras: paternidade e paternalismo. Apesar de parecidas quero traçar um paralelo entre elas, tomarei emprestado um texto que achei bem legal de Jamê Nobre - Paternidade e Paternalismo, e comentarei sobre essas elas.

Paternidade traz a ideia de pai, aquele que gera um filho. Ser pai é morrer para ser multiplicado em outro ser. Ser pai traz agregado a isso responsabilidade, renúncia, perda. Quem não está disposto a isso, não sabe e nem entende o que é ser pai. O pai se entrega/sacrifica pelo filho.

Expandindo a ideia, quero citar o texto de Paulo em 2 Coríntios 12: 14-15:
‭‭Agora irei visitá-los pela terceira vez e não serei um peso para vocês. Não quero seus bens; quero vocês. Afinal, os filhos não ajuntam riquezas para os pais. Ao contrário, são os pais que ajuntam riquezas para os filhos. Por vocês, de boa vontade me desgastarei e gastarei tudo que tenho, embora pareça que, quanto mais eu os ame, menos vocês me amam.

Paulo esclarece aos coríntios o que eles representavam para o apóstolo e nos ajuda a ver algumas caracteríticas de um verdadeiro pai: ele ajunta riquezas para os filhos, ele se desgasta, ele gasta o que tem, ele ama. Você percebe uma entrega, um desprendimento pelo bem do seu filho. E tudo isso como sinal do amor paternal.

Além disso, o pai visa proteger os filhos dos perigos. Ele alerta e coloca limites. Quem tem filhos sabe todo malabarismo que temos de fazer para manter a casa segura para os nossos pequenos. Mas nem tudo podemos tirar do caminho, algumas vezes temos apenas que dizer para não tocar, não subir, não pôr na boca... e muitas vezes precisamos disciplinar a desobediência. Sim, o pai que ama tem que corrigir seus filhos e às vezes castigar. Essa, inclusive, é uma das características do amor paterno. Quem não ama, não se importa, não se preocupa. A correção amorosa nos faz crescer e amadurecer.

Na paternidade, os pais alegram-se com o crescimento dos filhos, querem ver seus filhos alçanco voo, caminhando livres, bem-sucedidos. O pai perde para que o filho ganhe; ensina tudo ao filho, não há segredos; desaparece para que os filhos sejam notados. Leva os filhos a experimentar desafios e os ajuda a vencê-los.

No paternalismo há uma inversão de alguns valores. Há ainda a figura do pai, contudo este desenvolve uma relação mais egoísta. Existe uma forte competição, o pai age de forma dominadora, ele sente a necessidadede ser honrado, sustentado. Ele prende os filhos a si mesmo, cria-os tentando mantê-los dependentes e infantis. É uma relação doentia, sem uma afetividade sadia, madura e altruísta.

O pai paternalista visa o controle; o pai que exerce uma paternidade sadia, visa o crescimento do filho e sua  liberdade responsável.

Por todas as coisas criadas percebemos a paternidade de Deus sendo exercida. Vemos sua provisão, seu cuidado e carinho. Até mesmo ao colocar aquela árvore no jardim, um sinal claro do seu cuidado em nos proporcionar um meio de crescimento e amadurecimento. Crescemos e amadurecemos mediante escolhas acertadas em meio a desafios. Deus nos fez com o que chamamos de livre-arbítrio, direito de escolha. Essa é uma característica que nos torna mais parecidos com Ele.

Deus sabia que o mal estava no mundo e o homem precisava saber escolher o bem e evitar o mal, para que pudesse governar bem tudo aquilo que o Pai fez. Mas não poderia ser forçado, teria que ser por escolha própria.

Deus proporcionou o ambiente e o relacionamento perfeitos, e o próprio homem era perfeito. Mesmo assim, o homem escolheu desobedecer. Resolveu dar as costas ao Deus amoroso que eles conheciam e se relacionavam, para ouvirem a voz de uma serpente que questionou a bondade de Deus, semeando mentiras. O homem rejeitou a verdade e abraçou a mentira.

Rejeitou um relacionamento amoroso com seu Pai e desde então, ele vive com um sentimento de incompletude, de orfandade. Algo lhe falta - e é a presença do Pai.

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