Os Radicais do Reino

 “Também foi dito; Qualquer que deixar sua mulher, dê-lhe carta de desquite. Eu, porém, vos digo, que, qualquer que repudiar sua mulher, a não ser por causa da prostituição, faz que ela cometa adultério, e qualquer que casar com a repudiada comete adultério.”

Mateus 5:31‭-‬32 


Para dois cristãos é inadmissível, à base das Escrituras, o divórcio. Aquele que tem Cristo como Salvador não pode ter essa opção. A Igreja deveria ensinar essas coisas e agir dessa forma.


No versículo citado, Jesus fala sobre a única opção para se aceitar o divórcio e muitos se apegam a ela, indiscriminadamente, para se divorciarem. Mas o que Jesus queria dizer exatamente com isso? Precisamos entender esse texto à luz de toda Bíblia. Deus não se contradiz. 


Alguns versículos antes, Jesus fala em adultério cometido apenas com o olhar cobiçoso, lascivo, desejoso. Sejamos sinceros, se seguirmos esse critério, quantos casamentos teriam de ser desfeitos? Na época em que Jesus falou tais palavras as mulheres não se vestiam de forma sensual nem andavam seminuas, ou ainda, não apareciam nuas por completo diante de nossos olhos, em nossas casas, através da televisão. É quase impossível para o homem, que é estimulado pelos olhos, não cometer adultério. E agora, o que fazer diante desse fato?


Sempre me questionei quanto a isso. Como Deus traz uma lei tão rígida para nós e exige santidade? Alguns anos atrás, li um texto que interpretava esse versículo de forma diferente. Nesse texto o autor dizia que a prostituição a que Jesus se referia e que permitia o divórcio, seria o praticado antes do casamento propriamente dito. Na época de Jesus, antes do casal se unir em matrimônio, eles passavam um período como noivos, e se durante o noivado houvesse a traição, aí sim, era permitido o divórcio. O noivado naquela época não era como agora. Na época era um compromisso equivalente ao casamento em si, sem a consumação. A noiva não poderia ser cobiçada de forma alguma nem o compromisso poderia ser desfeito, a não ser pelo cometimento de atos sexuais ilícitos.


Diante dessa interpretação, todo o texto se ajusta e não há contradição. Depois de casados e consumado o enlace, a aliança entre o casal não pode ser desfeito a não ser pela morte. Então, não há desculpa para o divórcio. O casal crente precisa seguir o que as Escrituras dizem e se entender com seu cônjuge.


Algumas pessoas criticam a Igreja por ser conivente com a violência doméstica, quando insiste com as mulheres que elas devem se sujeitar a um marido violento. Mas não é isso que as Escrituras dizem e nem o que estou dizendo. A Bíblia diz que os maridos devem honrar suas esposas e amarem como a seus próprios corpos. E estou falando com quem é cristão e deve ser sujeito a Cristo e às Escrituras. Aos que se dizem cristãos, mas não seguem os princípios cristãos, devem ser tratados como tal. A verdade precisa ser pregada nas Igrejas e aplicadas também.


A Bíblia não obriga as mulheres a conviverem com homens violentos. Se sua integridade física está em risco, depois de ter tentado todas as formas bíblicas de conciliação, inclusive com a intervenção de toda a comunidade cristão a qual pertence o casal, então, deve-se aplicar as sanções previstas em lei, até mesmo a lei que rege o país. O governo humano, mesmo não sendo cristão, é uma autoridade que provém de Deus e deve ser respeitada.


O que não podemos como discípulos de Cristo é fechar os olhos e ser conivente com o pecado seja ele qual for,  a imoralidade, a violência, o adultério, a prostituição, o ódio, e a lista segue.


O sermão da montanha que está no livro de Mateus é um compêndio de leis e regras que, se cumprido, traria de fato o Reino dos céus para o nosso mundo. Essa leis e regras regem o Reino de Deus, por isso Jesus nos ensinou, para que possamos vivenciar em nosso meio a justiça do Reino de seu Pai.


Então, em termos práticos, os casais precisam ser orientados a resolverem seus problemas e pecados à luz da Bíblia, muitas vezes o caminho será espinhoso e sofrido, longo e estreito, mas no final será glorioso, pois estaremos cumprindo a vontade de Deus.


O pecado deve ser nomeado como tal e tratado como tal. 


A Bíblia aprova a violência? De maneira nenhuma! Ela manda que amemos os nossos inimigos; aqueles que nos maltrata, que nos fazem o mal, devem receber de nós o bem. Se é assim que devemos tratar os inimigos e os que nos odeia, imagina como devemos tratar nossos irmãos na fé, nosso cônjuge que é carne da nossa carne, nossa família, nossos amigos e companheiros!


A Bíblia aprova a imoralidade sexual - prostituição, adultério, lascívia? De maneira nenhuma! Ela condena até o olhar lascivo! Existem inúmeros textos bíblicos que condenam a prática sexual ilícita (entendamos que a prática sexual é considerada lícita em apenas uma condição - dentro do casamento, entre os cônjuges apenas). Se a Bíblia condena não somente o ato sexual como o olhar lascivo como pecado, imagina como devemos nos comportar! Aos solteiros e aos casados a vigilância deve ser constante. Cuidado com o que se vê e assiste. Um simples olhar cobiçoso já pode ser considerado prostituição ou adultério. Repito: pecado é pecado e precisa ser nomeado, para que possa ser confessado e abandonado.


Talvez você venha me acusar de ser radical demais, mas, em minha defesa, quero dizer que apenas estou relatando o que está na Bíblia. As coisas concernentes ao Reino são radicais, o pecado precisa ser visto como algo realmente nocivo e que deve ser extirpado. E para concluir deixarei alguns versículos para aqueles que acham que estou sendo radical:


“Se o teu olho direito o leva a pecar, arranque-o e jogue-o fora. É melhor perder uma parte do corpo que ser todo ele lançado no inferno.  E, se a tua mão direita o leva a pecar, corte-a e jogue-a fora. É melhor perder uma parte do corpo que ser todo ele lançado no inferno.”

Mateus 5:29‭-‬30


Isso é ser radical. Sejamos radicais para o Reino, sejamos radicais para o pecado. Mas, vale ressaltar, sejamos radicais com o pecado que está em nós. O texto é claro, se tivermos de arrancar o olho ou a mão de alguém, esse alguém sou eu, não o meu irmão. Ou seja, o olho a ser arrancado é o meu, não o do meu irmão. Não devemos sair pelo caminho amputando nossos irmãos. Cada um deve cuidar do seu próprio pecado. Não sejamos o juiz do nosso irmão. Para com o irmão devemos amar como a nós mesmos, devemos dar as mãos, orar e ajudar. Fazer todo o possível para levá-lo a um relacionamento profundo com o Senhor, fazê-lo crescer. Devemos trabalhar pela edificação do corpo de Cristo.

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